Arquitetura – A Originalidade é Sempre Possível ou Desejável?

iStock_000016523977XSmall-1Espera-se da arquitetura que, enquanto arte, seja original – ou que pelo menos o tente ser. As condições que os arquitetos enfrentam são, no entanto, grandes condicionantes para aquilo que podem criar. Existem variáveis que interferem ou intervêm em todo o processo, e o resultado final de uma obra poderá estar longe daquilo que inicialmente havia sido idealizado.

Um trabalho de arquitetura de sucesso necessita de um bom arquiteto, mas também de um cliente capaz de uma crítica construtiva e que esteja recetivo a novas ideias. Sem estas duas condições simultaneamente presentes, é muito difícil que se atinja a excelência num projeto de arquitetura.

É frequente ouvir-se dizer, da parte dos arquitetos, que a originalidade não é possível se o investimento financeiro não for significativo. Existem, no entanto, vários exemplos de como esta ideia está incorreta, como seja o caso da joalheria Schullin, em Viena, obra do arquiteto Hans Hollein.

Uma outra queixa prende-se com as regras específicas de construção, que parecem limitar a criatividade dos profissionais. Mas, vistas de outro ângulo, estas regras que restringem alguns aspetos dos projetos podem, por outro lado, incentivar a originalidade ao colocarem um desafio perante o arquiteto.

Há muito quem diga que a originalidade é a recompensa por muitos anos de trabalho árduo e persistência, mas isto não é completamente verdade no que toca à arquitetura. O famoso La Grande Arche de la Défense, situado em Paris, foi obra de um até então praticamente desconhecido arquiteto dinamarquês, Otto von Spreckelsen, que contava apenas no seu currículo com os projetos de duas igrejas e com o da sua própria casa!

Como vemos, existem vários fatores que influenciam a eventual originalidade de um projeto. Mas será esta sempre desejável? O arquiteto deverá colocar esta questão a si próprio e em seguida fazer o mesmo ao cliente. A resposta será obtida por consenso entre os dois.